Cuidados com o pé diabético

O paciente diabético  pode ter uma vida ativa e saudável, porém deve estar atento ao controle das taxas de glicose para evitar as complicações da doença, entre elas, o chamado "Pé Diabético", que pode ser evitado com simples atitudes diárias e avaliação médica periódica.

A Síndrome do Pé Diabético  é uma das complicações mais frequentes do diabetes e pode acarretar feridas crônicas, evoluindo para infecções e amputações se não tratado corretamente, com o acompanhamento médico.

De acordo com o Ministério da Saúde, são realizadas no Brasil 55 mil amputações anuais em razão do diabetes mal controlado. Dados apontam que metade dos pacientes diabéticos acima de 60 anos apresentam o "pé diabético".

O diabetes mal controlado pode levar à diminuição de circulação arterial e de sensibilidade em pés e pernas, o que pode causar sintomas como formigamento, dores, queimação nos pés e nas pernas, sensação de agulhadas, dormência e fraqueza nas pernas. Muitas vezes a pessoa só é diagnosticada com o pé diabético em um estágio avançado, quando já apresenta ferida ou infecção, o que torna o tratamento mais complexo. Por isso, a prevenção e o diagnóstico precoce são importantes.

O diagnóstico inicial é realizado por exame clínico, onde o médico fará uma avaliação , checando pontos como sensibilidade, temperatura e lesões nos pés. Exames de imagem auxiliam o médico para um diagnóstico mais preciso e detalhado, quando detectadas alterações na avaliação clínica do pé diabético.

A radiografia, por exemplo, pode identificar deformidades estruturais do pé nos casos mais crônicos. É útil também para investigação de possível acometimento ósseo, deformidades, fraturas, corpos estranhos, ou seja, as alterações ósseas nas infecções iniciais.

A Tomografia Computadorizada e a Ressonância Magnética são indicadas para um diagnóstico ainda mais detalhado, detectando alterações em outras estruturas, diagnosticando complicações como a osteomielite crônica.

Já o exame de Doppler  (Ultrassonografia Vascular) pode verificar o grau de acometimento vascular e também pode ser indicado pelo médico para uma avaliação diagnóstica mais ampla.

Sendo assim, a prevenção é a melhor maneira de evitar o pé diabético. O paciente deve, além de manter sua taxa de glicose controlada, realizar o exame visual dos pés diariamente, fazer avaliação médica periódica e tomar alguns cuidados simples, porém muito eficazes. Confira as orientações:

  • O exame diário dos pés deve ser feito em local bem iluminado. Se necessário, peça ajuda a alguém. Observe a existência de frieiras,cortes,calos, rachaduras,feridas, inchaços, bolhas ou infecções . Um espelho pode auxiliar. O paciente deve avisar seu médico sobre alterações observadas.

  • Verifique a cor de suas pernas e pés. Caso observe inchaço, calor ou vermelhidão, ou se apresentar dor, procure sua equipe de saúde.

  • Mantenha os pés sempre limpos e use sempre água morna, para evitar queimaduras. A toalha deve ser macia. Evite  esfregar a pele.

  • Use cremes ou óleos hidratantes para pele seca, evitando  usá-los entre os dedos.

  • Prefira usar meias sem costura, de algodão ou lã. Evite tecidos sintéticos, como nylon.

  • O corte das unhas merece atenção especial. Antes de cortar, o paciente deve lavá-las e secá-las bem. Use  um alicate apropriado ou uma tesoura de ponta arredondada.  Elas devem ser cortadas em linha reta. Dê preferência a profissionais treinados aos cuidados com o pé diabético.

  • Calos e calosidades devem ser avaliados e tratados pela sua equipe de saúde.

  • É ideal que os pés estejam sempre protegidos. Inclusive na praia e na piscina.

  • Evite andar descalço, seja em ambientes fechados ou ao ar livre.  

  • Inspecione diariamente a parte interna dos calçados, à procura de objetos que possam machucar seus pés

  • A escolha dos calçados é outro ponto importante: Use sempre um sapato confortável, com saltos baixos e do tamanho adequado para os seus pés. Uma dica é comprá-los no fim da tarde ( já que os pés costumam inchar ligeiramente ao longo do dia).

  • Pare de fumar. O tabagismo tem impacto na circulação sanguínea, causando ainda mais diminuição do fluxo de sangue para os pés.

  • Procure imediatamente sua Unidade de Saúde se uma bolha, corte, arranhão ou ferida aparecer.


Esses cuidados permitem que o paciente tenha qualidade de vida e evite complicações. Em caso de dúvidas, procure sempre uma equipe de saúde.


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